Debate "Corrupção: uma Antiética" promove reflexão crítica e envolvimento cívico na ESAB
No âmbito das comemorações do Dia Internacional Contra a Corrupção, a Escola Secundária Avelar Brotero acolheu, no dia 10 de dezembro, entre as 9h30 e as 11h20, no auditório da escola, o debate interturmas subordinado ao tema "Corrupção: uma Antiética", dinamizado pelo Professor João Carlos Lopes, Delegado do Grupo Disciplinar de Filosofia.
A iniciativa, dirigida às turmas do 10.º ano (10.º 1A e 10.º 3A), integrou-se num conjunto mais vasto de atividades promovidas pela Comissão de Ética da ESAB e destacou-se pela sua forte componente pedagógica, participativa e reflexiva. Concebido sob a forma de workshop, o debate teve como principal objetivo problematizar a corrupção enquanto fenómeno ético e social, estimulando o pensamento crítico dos alunos e promovendo a articulação entre identidade pessoal, bem comum e sistemas de regras e valores que orientam a vida em sociedade.
A sessão iniciou-se com a organização dos alunos em grupos de trabalho, aos quais foram distribuídos diferentes materiais de apoio — textos, imagens e questões orientadoras — que serviram de ponto de partida para a análise e discussão de oito grandes temas: os efeitos da corrupção, a relação entre poder e corrupção, a tendência humana para comportamentos corruptos, o desvio de recursos e os prejuízos sociais, o papel do dinheiro na suspensão de valores, a invisibilidade como condição facilitadora da corrupção e, por fim, a questão central da possibilidade de cura ou mitigação deste fenómeno.
As conclusões apresentadas pelos diferentes grupos evidenciaram uma notável maturidade crítica e capacidade de argumentação. Os alunos reconheceram que a corrupção se manifesta em múltiplos níveis — do quotidiano às esferas de maior poder — e que, embora muitas vezes ocorra de forma oculta, pode também estar presente em práticas aparentemente banais. Destacaram ainda os impactos profundamente negativos da corrupção em larga escala, nomeadamente o agravamento das desigualdades sociais, o desvio de recursos essenciais à saúde, à educação e à habitação e a erosão da confiança nas instituições.
No plano ético, o debate revelou posições diversas, mas complementares: se, por um lado, alguns grupos sublinharam a existência de uma tendência humana para a corrupção, associada à tentação do poder e do dinheiro, outros defenderam que não estamos condenados a ser corruptos, salientando o papel decisivo dos valores, da educação ética e da responsabilidade individual. Foram igualmente discutidas medidas concretas de prevenção e redução da corrupção, como o reforço da transparência, a regulação do lobbying, a valorização do serviço público e a importância da denúncia responsável, reconhecendo-se, contudo, a complexidade do problema e a dificuldade da sua erradicação total.
O balanço desta iniciativa é extremamente positivo. O elevado envolvimento dos alunos, a qualidade das reflexões produzidas e a riqueza do debate final confirmaram a pertinência do tema e a eficácia da abordagem adotada. O workshop constituiu um exemplo claro de como a Filosofia pode assumir um papel central na formação cívica dos jovens, contribuindo para a construção de uma consciência ética sólida, crítica e comprometida com os valores da integridade, da justiça e do bem comum.
Esta iniciativa reforçou, assim, o papel da escola enquanto espaço privilegiado de educação para a cidadania e para a integridade, alinhando-se plenamente com os princípios do Código de Conduta da ESAB e com a missão de formar cidadãos atentos, informados e eticamente responsáveis.
Ana Paula Clemente Varela
(Presidente da Comissão de Ética)



